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quinta-feira, 30 de abril de 2015

SOLIDÃO


Foto de Delta Ebro.

SOLIDÃO
É esta uma solidão selada em ilhas de mim sem o rito do encanto,
porque alguém se perde nas sinuosas barreiras do corpo e
da mente algures num desconhecido que não sabe escavar.
O coração ressente-se e passeia magoado e pulsante para não
fenecer de tristeza e o incêndio propaga-se gelado-quem me
não sente logo jamais vai sentir porque se fechou e a porta
bateu seca nas minhas mãos.Onde paira o romance?Quem sabe
vivê-lo sem medo? a envolvência é um quesito, como despertá-lo
em quem vê a morte todos dias ou se sente meio vivo...agora só
tu quebras este frio porque és a beleza que me navega o sonho.
Fica comigo com a tua admiração dentro da poesia
e continua a ver-me bonita e cheia de promessas
num futuro que não vejo porque o vivo assim,
despojado de tudo.
Entre as formas de um personagem eu pressinto
o vazio,ou o tédio aquele que não vou abarcar
e temo por mim porque me dói a pele e a alma expostas à intempérie
de quem não se encontra feliz sendo eu tão intensa sem certeza
alguma nos bolsos e nos olhos que se fecham encadeados em mim,
viro as costas e num silêncio dorido adormeço e sonho sonho.
O sonho mais bonito és tu que és real mas vives a tua vida e
eu não caibo lá,como te compreendo devemos agarrar o amor sem
ferir e não perder as mãos por transitar o perigo,fica assim eu
gosto dessa pureza rara que me faz amar-te mais.
Estou só comigo, mas estou só sim e nos espelhos os meus olhos
reflectem essa tristeza já antiga,ah eu não soçobro enredo-me
nas palavras e invento o teu amor decorado de areais e mar
tropical,aí mesmo desvendo os frutos e saboreio o prazer
e sou feliz nesse murmúrio escrito,apago a solidão e
acendo o fogo da paixão contínua e guardo-te
bem dentro da imaginação invento o amor
meu amor sem solidão só ascensão.
Deito-me contigo sem saberes
beijo-te, abraço-te sou além.
Cassandra Alpoim
In Demorações

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