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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A recusa à escola: sintomas e motivos



A recusa à escola: sintomas e motivos
Tudo corre bem quando colocamos o nosso filho carro os deixamos na escola ou jardim-escola e o vemos mal dizer adeus, para correr para os amigos ou professores. Ele está feliz, nós ficamos tranquilos, o dia corre melhor e à uma sensação de que ele está em segurança e bem.
Por outro lado, quando o nosso filho não quer ir à escola, quando as manhãs começam a ser um problema, há maior ansiedade para ele e para nós, o dia já não corre tão bem e é claro que alguma coisa tem de estar errada.

Falamos de recusa à escola, que se pode manifestar no seu filho de várias formas:

• Não quero! Se tiver “sorte”, a criança dirá explicitamente que não quer ir à escola, poderá chorar e encontrar uma série estratégias e até mesmo explicar-lhe o porquê. Pode acontecer subitamente ou gradualmente, dias em que é mais difícil leva-lo para a escola, outros em que não há este discurso de recusa.
• Sinais escondidos. Outras crianças começam gradualmente a alterar o seucomportamento em relação à escola, começando a demorar mais de manhã, a referir pontos negativos para não ter de ir para a escola ou a procurar outras atividades, como por exemplo, ficar em casa dos avós.
• O corpo dá sinal. Por outro lado, muitas crianças não sabem sinalizar esta dificuldade e é o corpo que se manifesta com dores de barriga, vómitos, diarreia, dores de cabeça ou febre associados aos dias em que há escola, por exemplo de manhã ou domingo à noite, antecipando o início da semana. É possível que o seu filho não lhe consiga explicar o que se passa e que a única consciência que tenha, seja do mal-estar físico.
• Ansiedade. Por vezes, a criança manifesta claramente medo de ir para a escola e fica muito ansiosa com essa possibilidade sentindo falta de ar, mal-estar físico, choro…

Mas estes são só os sintomas, é importante compreender também o que está na base destes comportamentos. Apesar da criança recusar a escola, não podemos esquecer que a sua vida é muito mais que isso, o que torna as possíveis causas desta recusa muito mais variadas. Podemos apontar algumas:

A escola
No espaço escolar são variadíssimos os fatores que podem levar a criança a não querer voltar. Começamos pelo próprio ambiente da comunidade, escolar que pode não dar à criança a segurança que necessita, existindo frequentemente situações de violência (que mesmo não relacionadas diretamente com a criança, podem ter impacto na forma como esta se sente dentro da escola), ou um ambiente de competitividade dentro da própria escola.
Existe também a relação com os colegas que pode ser determinante no gosto de ir para a escola e uma pequena briga com o melhor amigo pode ter um impacto passageiro, até situações de agressividade mais grave, diretamente relacionadas com a criança.
Para além disto, podem também existir experiências negativas (ou que a criança perceciona como negativas) com os professores, que podem diminuir a sua sensação de à vontade e segurança com estes ou o facto da exigência e desafios na sala de aula poderem fazer com que a criança não se sinta à altura para os alcançar. Quando a criança já tem várias disciplinas, nestes casos, podemos assistir a uma recusa isolada a uma única disciplina, onde estas dificuldades acontecem.
Finalmente, é importante estar atentos às alterações que ocorrem no campo escolar, desde uma alteração de escola, mudança de turma, de professor ou de outras alterações ambientais que dificultam a readaptação da criança.

A família
Outro campo onde pode estar a base do problema, pode ser a relação familiar e basta pensarmos na nossa vida, para percebermos que muitas vezes, questões pessoais têm interferência no nosso desempenho e motivação profissionais. Os nossos filhos também sentem isso. Assim a recusa à escola pode refletir problemas em casa, como a separação dos pais, má relação com irmãos, doenças ou perda de algum familiar, alteração da dinâmica familiar por existir um novo elemento (p.e. um irmão, um avô que vai lá para casa), um novo trabalho ou qualquer outra alteração que possa ter impacto nas crianças, mesmo que muitas vezes em casa ela possa não exibir qualquer sinal de que isso a perturbe.

A própria criança
De entre todas estas possíveis causas, não nos podemos esquecer da “cola”, porque é que isto aconteceu ao seu filho? Na maior parte das vezes, não basta existir a uma situação exterior à criança, é importante compreendermos que a criança tem já algumas caraterísticas que tornam mais vulnerável. Falamos de carateristicas como a timidez, maior ansiedade perante os outros ou situações de desempenho, maior sensibilidade a alterações de vida, dificuldade na compreensão e gestão de emoções negativas ou algum problema físico ou doença inerente.
Estes são fatores que devem ser tidos em conta, pois podem não ser a causa, mas o reforço do problema.

Estimado pai, mãe, tem agora algumas pistas fundamentais para compreender o que possa estar a acontecer com a criança que começou a recusar ir à escola, mas lembre-se que são pistas e não uma forma de o deixar mais preocupado. Lembre-se que o equilíbrio será a base para ajudar o seu filho, por um lado ver a realidade do seu filho, por outro, ser a força e apoio que ele precisa para resolver a situação, sem aumentar o seu medo ou desconforto!

Inês Custódio
Psicóloga Clínica
Oficina de Psicologia

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