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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Quando acordares prometo que vamos adormecer todos os dias

Tinhas
chegado tão atrasada que mais valia não
teres vindo, mas ainda bem que vieste.
Doía-me a vontade toda de te apertar e de te falar,
mas tu já vinhas.
Quando acordares prometo que vamos adormecer
todos os dias
juntos para sempre.
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in "Prometo Falhar", a mais recente obra de Pedro Chagas Freitas.


Não me julgue

Não me julgue pela minha cor
Não me julgue pelo meu estilo
Não me julgue pelo meu vocabulário
Não me julgue pela minha inteligência
Não me julgue pela minha forma física
Não me julgue pelo o que eu gosto.
Você sabe meu nome, e não o meu passado!


como dizer que a tua ausência me dói

«Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me.

Refiro-me a essa dor que não magoa, que se limita à alma; mas que não deixa, por isso, de deixar alguns sinais – um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes tivessem roubado o tacto.
São estas as formas do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser complicadas, quando nos damos conta da diferença entre o sonho e a realidade.
Porém, é o sonho que me traz a tua memória;
e a realidade aproxima-me de ti, agora que os dias correm mais depressa, e as palavras ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de mim – e me faz responder-te uma coisa simples,

como dizer que a tua ausência me dói.»


Há Palavras que Nos Beijam



Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill